Lutando contra o conceito que a definição de esporte deva ser ligada à atividades que envolvam esforço físico e performance muscular, está nascendo a ABRESPI (Associação Brasileira de Esportes Intelectuais) que luta para ser reconhecida como atividades e esportes olímpicos.

Com o xadrez e o poker como carros chefes, o Brasil acaba de criar a Associação Brasileira de Esportes Intelectuais-ABRESPI, alinhada com movimento internacional que luta por “um lugar ao sol olímpico” e espera receber os Jogos Mundiais deste segmento já na Olímpiada de 2016 no Rio de Janeiro.
 
A Abrespi é filiada a IMSA, sigla em inglês para Associação Internacional de Esportes Intelectuais, com sede em Lausanne, na Suíça.
 
Internacionalmente, esta união dos intelectuais já existe desde 2005, com o nascimento da entidade que reúne praticantes de xadrez, dama, bridge e go, modalidades que reúnem mais de 400 federações nacionais e mais de um bilhão de jogadores em todo o mundo.

O movimento tenta, através do COI (Comissão Olímpica Internacional) para, gradualmente, figurar no rol de esportes olímpicos.
 
Lista dos esportes intelectuais:

- Duplicate poker: é uma variação do jogo de cartas, baseado em princípios do bridge. Ainda envolve regras da versão Texas hold’em

- Bridge:um jogo de cartas disputado por dois pares de jogadores; dividido em duas partes, o leilão e o carteio
 

-Go:um jogo estratégico de soma zero e de informação perfeita para um tabuleiro, em que se usa pedras de cores opostas
 

“Queremos nos afastar desta imagem de ‘patinho feio’ que está atrelada a nós”, diz Darcy Lima, Grande Mestre Internacional de xadrez e presidente da nova entidade.
 
“Estávamos num limbo antes desse movimento internacional. Existe uma imagem muito comum, que liga o esporte à ação, ao movimento. Na verdade são vários os fatores que constituem um esporte: regras claras, um campeonato mundial, países filiados. Mas no imaginário popular o esporte está ligado à atividade física. A gente sofre com preconceito. Mas ultimamente estes esportes vêm sendo usados como ferramenta pedagógica, de inclusão social. São baratos e formadores de caráter. E assim o preconceito vem diminuindo”, acrescenta o dirigente.
 
Os primeiros Jogos Mundiais de esportes intelectuais aconteceram em 2008 em Pequim, paralelamente à Olimpíada do mesmo ano, com participação de equipes de 140 países e reunindo um total de 2.736 atletas durante duas semanas. A segunda edição acontecerá em Londres no ano que vem e, em 2016, a expectativa é que o evento desembarque no Brasil.
 
Assim, a criação da entidade no Brasil atende uma demanda internacional do movimento, que espera aproveitar a onda de eventos de grande porte no país para se fazer presente com seus Jogos Intelectuais na mesma época do Rio-2016.
 
“Existe uma grande possibilidade, mais de 90% de em 2016 dos jogos intelectuais serem no Rio de Janeiro. Estamos alinhados com o movimento olímpico. Não podemos usar o nome Olimpíadas, mas esperamos em breve estar nesse grupo de três grandes eventos, os Jogos de Verão, os Jogos de Inverno e os Jogos Intelectuais”, afirma Darcy Lima.
 
A popularidade mundial do poker é uma cartada do movimento para batalhar por atenção, mesmo com o esporte apresentando atualmente apenas status de membro observador da entidade internacional.
 
“Existe uma grande quantidade de dinheiro envolvida neste universo. Nos Estados Unidos, o poker tem a terceira maior inserção de mídia do esporte na TV, na frente do hóquei no gelo”, argumenta Darcy Lima.
 
Além da ideia padrão a respeito das modalidades intelectuais, de quem associa esportes apenas à atividade física, o movimento ainda abraça a causa específica do poker, que lida com um outro tipo de preconceito.
 
Agora vinculada a práticas como xadrez, a modalidade luta para se distanciar da imagem de jogo de azar e das apostas em dinheiro nos cassinos do mundo. Na entidade dos intelectuais, o esporte é disputado em sua versão ‘duplicate’, que, na teoria, minimiza o efeito da sorte em resultados, argumentam seus defensores.
 
“É um esporte que sofre um preconceito a mais, porque vem de um tipo de jogo anterior, o jogo de azar. Mas está provado que o azar conta muito pouco. Cerca de dois terços das mãos jogadas são resolvidas sem mostrar as cartas, na base da estratégia. É um esporte recente, ainda associado ao jogo do cassino, por dinheiro. Mas existe azar como existe no futebol. Como naquela vez em que o cara cobrou o pênalti e a bola bateu nas costas do goleiro Carlos antes de entrar. Também é azar”, comenta Darcy Lima, em menção a um célebre lance da seleção brasileira na Copa de 1986.
 
No Brasil, além das metas esportivas, a entidade que reúne as modalidades intelectuais também atuará em outra frente. A Abrespi deseja prosperar entre os jovens convencendo as esferas públicas do poder dos jogos em questão empregado como ferramenta educacional e de inclusão social.

Fonte: UOL Poker
 
Visite o site da ABRESPI e, se você é apaixonado por algum desses esportes intelectuais, entre você também nessa luta olímpica.